Cognições em Foco – Ascensão da Psicologia: Saúde Mental em foco durante a pandemia

Amliz Lopes escreve sobre psicologia e comportamento social toda última quinta feira do mês, as 18h

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Foto: Divulgação

No dia 27 de agosto é comemorado no Brasil o Dia do Psicólogo – data referente a regulamentação da psicologia enquanto profissão em nosso país – diante dessa data e neste ano conturbado, em que vivenciamos crise em diversos âmbitos na sociedade, é inevitável uma análise sobre o aumento da procura por serviços de saúde mental durante este período de pandemia em que foi solicitado a população distanciamento social ou isolamento social. 

Como traz Sacrilegens (2016)  “o ser humano é um ser gregário” aprendemos a sobreviver juntos, mas tudo mudou e perante uma situação de perigo (transmissão de um vírus até então pouco conhecido) nos vimos implicados e envolvidos com pensamentos de proteção (funcionais e/ou disfuncionais) os quais provocam sentimento de preocupação (medo) com ações em conformidade a estes (comportamentos adaptativos e/ou desadaptativos) e que nos solicita afastarmo-nos fisicamente dos outros. 

Neste artigo fixo meu olhar aos pensamentos disfuncionais e comportamentos desadaptativos que eclodiram neste momento de pandemia havendo um aumento de ansiedade e depressão, ou sintomas específicos de medo intenso, rituais de limpeza e checagem e preocupações exacerbadas com a própria vida ou a de entes queridos, pensando no papel que a psicologia vem ocupando atualmente. 

Ou seja, nosso organismo entrou em estado de alerta visando sobrevivência! Sobrevivência que envolve preservar o físico, mas que coloca o emocional em uma situação contínua de estresse e sem perspectiva de quando acabará gerando sentimentos diversos como desesperança e fragilidade. 

A psicoterapia tem por proposta promover saúde mental através de estratégias interventivas que envolvem técnicas diversas, visando como traz Cordioli (2008) “reduzir ou remover um problema”, acrescento ainda as estratégias de prevenção criando condições no paciente de auto gerir suas próprias emoções.   

Antes não precisávamos de psicólogos? Sim, porém na vida frenética e corrida não nos atentávamos às sutilezas da nossa mente. Logo, quando nos vimos imbricados em uma necessidade de autocuidado, gatilhos emocionais e estratégias de regulação emocional para nos mantermos bem e se nosso organismo está em estado de alerta em uma situação que até certo ponto nos foge ao controle, o que precisamos cuidar é da mente para nos mantermos ativos. 

Indo além importante evidenciar o prejuízo emocional de pessoas que perderam familiares em decorrência do Corona Vírus, os profissionais linha de frente no cuidado com o outro e com aqueles acometidos pelo vírus. Em que todos vivem em diferentes dimensões e realidades angústias e apreensões de uma fase marcada por instabilidade e incertezas. 

Frente a mudanças abruptas de rotina nos vimos obrigados a mudar nas atitudes e agora também na forma de pensar! De acordo com Wang et al 2020 apud Pereira et al (2020): 

“53,8% da população chinesa sofreu impactos psicológicos mediante a pandemia da COVID-19, obtendo uma classificação de moderada a grave.  Ainda ressalta, que estes indivíduos considerados  em  estado  de  vulnerabilidade, especialmente,   aqueles   que   faziam   parte  dos  seguintes   grupos   de   risco:   pessoas diagnosticadas, familiares destes indivíduos, sujeitos com diagnóstico de transtornos mentais e profissionais de  saúde.”  

Diante de tal panorama o questionamento funcional é: Como podemos manejar essa fase de forma mais saudável? 

A procura por terapia por si só já é uma resposta, e ver o aumento dessa procura nos faz refletir que a população vem quebrando o estigma de que “psicólogo é coisa de doido” para a ideia de “psicólogo é coisa de quem quer ficar bem” e dentro da psicologia trazemos a ideia de criar na rotina do paciente estratégias de autocuidado contínuas visando a manutenção da qualidade de vida.  

O próprio Conselho Federal de Psicologia visou estratégias que facilitassem o acesso das pessoas aos cuidados em psicoterapia entrando em evidência atendimento on-line, bem como estratégias de disseminação de auto cuidado para população em geral. 

Alguns podem lembrar muito bem que existem outras coisas que ajudam, e concordo plenamente: cuidar do sono, alimentação, incluir atividades físicas, tempo para relaxar com música, filmes, amigos. Bastaria isso para ficarmos bem? Depende do caso… a escuta qualificada (preparada cientificamente e com garantia de sigilo) com estratégias interventivas padronizadas e coerentes a realidade do paciente é o diferencial que a psicoterapia fornece.  

Logo aos psicólogos façam valer esse momento de ascensão e a população geral façam valer os cuidados em saúde mental, quebrando estigmas e permitindo a psicologia ser um meio qualificado para obtenção desta. Como preza a Organização Mundial de Saúde -OMS, saúde se define como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade” 

Como anda sua saúde mental?

AMLIZ FERREIRA LOPES é psicóloga pela Universidade de Pernambuco, atuando na área clínica sob o registro CRP 02/18257. É especialista em Neuropsicologia pelo Instituto de Neuropsicologia Aplicada, com título reconhecido pelo Conselho Federal de Psicologia. Atualmente, é Pós Graduanda em Psicoterapia Cognitiva Comportamental, pelo Grupo Cognitivo. Possui experiência na área de psicoterapia, avaliação neuropsicológica e na área social. Co-fundadora do grupo de estudos PsicoEduca.

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