Não há interesse do Estado em servir ao cidadão, diz secretário de Desestatização e Privatização do Governo Federal

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Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Em entrevista ao Estadão, o empresário Salim Mattar, que está deixando o cargo de secretário de Desestatização e Privatização do Governo Federal, revelou que seu tempo no setor público é página virada. Segundo Mattar, o establishment não quer as privatizações para não acabar com o “toma lá, dá cá” e o “rio da corrupção”.

“Por mim, eu venderia todas as empresas, sem exceções. O governo tem de cuidar da qualidade de vida do cidadão, da saúde, educação, segurança. Temos 470 mil funcionários nas estatais. Isso tira energia, enquanto deveria estar cuidando do social. Essas estatais acabam servido para toma lá, dá cá e corrupção. Existe uma resistência do establishment em vender as empresas”, disse o secretário, afirmando que 84 empresas foram vendidas, como subsidiárias e desinvestimento, mas nenhuma estatal.

“O que mais vi na Esplanada é que o Estado deseja se proteger contra o cidadão. Não há interesse do Estado servir ao cidadão. Temos um Leviatã bem maduro aqui no Brasil”, informou Mattar.

Questionado sobre qual empresa gostaria de ter vendido primeiro, o secretário apontou os Correios. “É uma empresa grande deficitária, que tem prestação de serviço muito ruim. Os Correios seria a primeira empresa que eu privatizaria. Tivemos muita resistência desde o início do próprio ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). Ele teve muita resistência. E colocaram no PPI (Programa de Parceria de Investimentos). No PPI, é para estudar. No PND, é para poder vender. Então, atrasou. Vai demorar 28 meses para ser vendido. Caso seja vendido. Não tenho certeza. Uma empresa como essa na iniciativa privada estaria vendida em 60, 90 dias”, respondeu.

Mattar falou ainda sobre a política liberal no seio do governo e destacou que “muitas pessoas que se passam por liberais”, mas “o discurso é diferente da prática” . “Os liberais puro-sangue cabem em um micro-ônibus. Agora, tem muita gente que é liberal e não sabe. Descobri isso no governo. Mas tem também muitas pessoas que se passam por liberais para poderem se aproximar, ficar perto do governo. Não são liberais. O discurso é diferente da prática”, explicou.

“O que mais vi na Esplanada é que o Estado deseja se proteger contra o cidadão. Não há interesse do Estado em servir ao cidadão. Raramente vemos coisas que são a favor do cidadão. Isso me deixou muito preocupado. Temos um Leviatã (metáfora do Estado como soberano absoluto e com poder sobre seus súditos que assim o autorizam através do pacto social) bem maduro aqui no Brasil”, finalizou Salim Mattar.

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